Me dê uma luz pois eu já quero água
A arquiteta me pergunta - Vocês vão ter o que na lavanderia? - e eu respondo:
- A máquina de lavar roupa e só - e então minha esposa lembra:
- A não ser que a gente queira uma secadora de roupa - e eu completo:
- E talvez no futuro surja uma nova máquina de passar roupas, quem sabe. Todos os dias surgem novas máquinas, quem diria há 20 anos que toda casa teria um micro-ondas, não é mesmo?
Foi assim que começou a nossa conversa sobre o que teria dentro de nossa casa, e à medida em que vislumbrávamos a possibilidade de termos uma casa que suportasse todos nossos sonhos de consumo, com uma infinidade de tomadas e afins, não percebíamos que não tão depois em nossa linha do tempo iríamos sofrer muito por todas estas decisões.

1º andar
Pra toda construção existem algumas coisas que são essenciais, uma delas é adquirir energia elétrica para a obra e depois para a casa que a obra vai levantar. E obviamente não éramos uma exceção. A primeira coisa que fizemos depois da terraplanagem foi mandar instalar água. E foi o de menos, pois como a água aqui não é da Sabesp e sim mineral, então tivemos a vantagem de contar apenas com o funcionário do condomínio ir lá instalar e pronto. Agora a luz…
A obra levou menos de três meses para ficar pronta sem acabamento - a luz levou mais de seis meses. Isso que era para ser a luz temporária, e não a definitiva. Como pedimos ali em cima tudo que realmente precisávamos para a arquiteta, então o saldo estourou o valor para o poste padrão mínimo que exige pouca carga de energia, e passou muito. O que nos levou a exigir um engenheiro elétrico para assinar uma ART da construção da caixa elétrica.
O Engenheiro:

peças, todas caras
O engenheiro eu recomendo, ele não fez nada de errado, pelo contrário, fez tudo é muito certo. Ele não burlou nos números para exigir algo menor do que queríamos. Ele pegou a relação de cargas da casa, fez o cálculo e o projeto e deu entrada na Eletropaulo. Para nós ele disse que levaria aproximadamente 30 a 60 dias para ficar pronto. Meu mestre-de-obras André impaciente resolveu não esperar e fez um gato do poste da frente, gato que durou menos de 24h quando o síndico do condomínio reclamou e quase me multou. Então ele pegou a energia do vizinho emprestada, sob sua autorização, com a condição de pagar a conta para ele (pois vizinho usava a casa apenas 1 final de semana no mês).

lembre-se de incluir Água Raz na lista de materiais. Vai ser "útil" se precisarem estanhar algo...
Enquanto isso, minha esposa também impaciente resolveu seguir o conselho de alguns sites e ligou para a Eletropaulo, que deu incorretamente a informação de que ela poderia ligar luz temporária para a obra (que seria ligada em apenas dois dias!). Ela foi até lá e voltou com uma lista de compras de materiais. Quase nos quebramos pois fui contra, mas comprei a bendita da lista de materiais. Então o engenheiro deu a lista dele e nada era compatível com a lista dela. Depois de alguns dias a Eletropaulo disse a ela que não poderia mesmo ser feita a instalação temporária para obra, e o material teria que ser devolvido. Liguei para a fornecedora de produtos elétricos e eles aceitaram de volta, menos o poste pois de acordo com eles o poste seria o mesmo (além de exigir um guincho para transportá-lo).
Compramos o material elétrico numa loja que cobrava mais barato, mas não darei aqui a indicação pois a má vontade deles me custou mais do que se eu tivesse comprado em outro lugar. Meu grande irmão japonês Kenzo foi o responsável em me ajudar a levar a caixa elétrica, conferir os componentes e dar instruções aos técnicos sobre como montar a caixa (ele é quase um engenheiro elétrico, está cursando o último semestre na USP).
A Caixa de Pandora
Levar a caixa foi uma verdadeira aventura. Ela pesava mais de 100Kg e tinha 2m de comprimento. Para complicar, minha casa fica numa ladeira. Descer a caixa da picape (do sogro) não era uma tarefa trivial. Muito sufoco depois, a caixa estava no local correto. Faltava o André mandar chumbar ela com cimento e o técnico da Eletropaulo ligar a luz.
Fora a caixa, foram comprados diversos cabos elétricos da grossura de um dedo indicador gordo (dedo indicador gordo é o meu dedo para quem não sabe, mas você pode usar o dedo indicador de qualquer gordo de 90Kg que também serve de referência ^^). Dentro da caixa também tinha fusíveis e chaves e todo tipo de parafernália cara que você pode imaginar. A caixa era para um pequeno prédio com oito vidros para até oito relógios, mas apenas o meu ia nele - exigência da Eletropaulo devido à quantidade de carga.
Fora isso, as pontas dos cabos precisavam ser estanhadas. Não sabe o que é estanhar? Eu também não sabia. Estanhar é a ação de cobrir de estanho a ponta do cabo. Para tal, geralmente usa-se uma barra de estanho e um maçarico. É, mas nós não tínhamos este maçarico. Tentamos estanhar as pontas de forma desastrosa usando uma fogueira improvisada. Claro que não deu certo, mas recomendo. É bem divertido. O jeito foi achar um eletricista que estanhasse - acredite: não é fácil.
Depois de muitas indas e vindas do engenheiro à Eletropaulo, ele conseguiu: o técnico da Eletropaulo iria em casa instalar a luz. Enquanto isso, nos enchemos de medo, pois todos os sites, blogs, comunidades de orkuts falavam que não se conseguia instalar sem pagar uma quantia para o técnico, e como tínhamos gastado muito para fazer tudo certinho, decidimos tentar fazer a coisa da forma correta até o fim. O engenheiro elétrico responsável foi até a obra para verificar se tudo estava correto. Ele era um alemãozão e chegou num dia de muito sol e calor e por conta de seus olhos claros fomos conversar sob a sombra. Ele olhou a caixa, viu tudo e não achou nada errado.
Então o técnico… não foi. Não foi porque, segundo ele, não achou o número. O número da casa estava pixado com tinta bem grande 133, mas ele não viu. Pior, a Eletropaulo cobra revisita do técnico, mesmo que a culpa não seja nossa. Segunda visita agendada, ele não foi novamente e eu ligo para lá - ah, ele não achou a rua -me disse a atendente. Ele não achou a rua? Respondi na lata para a atendente :
- então manda ele de novo lá, que vou pedir para a rua não sair para o almoço desta vez!
Terceira vez o técnico foi, achou a rua, mas nãohavia ninguém na obra.
Quarta vez o técnico foi mas o prédio (?) estava fechado. (Esqueceram de dizer para ele que era um condomínio de casas e não um prédio.)
Quinta vez ele foi, e falou com o André “Ah está faltando ligar um fio aqui, e outra coisa aqui” - disse ele. Meu mestre de obras chegou a dizer que ligava na hora, que era coisa boba. Ele foi resoluto, e foi embora. Voltaria quando estivesse pronto.
Sexta vez ele também foi, mas aí o problema era num parafuso.
Na sétima vez o problema era o poste…
O poste:

poste reforçado pelo engenheiro, para suportar até uma scania levando fio sem que o poste caia
Bom, vamos ao poste… de fato o poste era a única coisa verdadeiramente errada no projeto, mas nenhum técnico foi capaz de dizer isso antes. O poste colocado suportava até uma determinada quantidade de peso e impacto. Mas como os fios eram muito longos e pesados, se um caminhão enroscasse no poste, ele poderia vir abaixo devido ao peso do caminhão somado aos fios. O correto seria o poste ser tão resistente que o fio se partisse mas o poste se mantivesse no lugar, pois a chance de morte elétrica seria menor do que a de um poste caindo em alguém.
Esta é a razão pela qual o poste para uma tensão igual à da minha casa precisaria ser maior. Então você pode se perguntar: por que o Engenheiro não deu a especificação do poste correto para comprar, certo?
Pois é, ele deu. Porém o poste já havia sido comprado antes, lembra? E eu acreditei que, de acordo com o que meu fornecedor disse, não haveria diferenças. Errado, tinha. Para piorar, agora o poste estava chumbado no chão e remover era impossível sem uma britadeira e muita gente.
Aí você ainda pode me questionar “poxa, mas o engenheiro não viu isso antes?”. Lembra que disse que era um dia de muito sol e ele foi conversar comigo na sombra? Pois é, você consegue imaginar ele olhando para o alto em direção do sol e enxergar algo diferente num poste? Pois é, nem eu.
Agora olha o absurdo. O que falei acima faz sentido SE o poste que manda energia elétrica até meu poste não ficasse bem diante da minha casa, ou seja, jamais um caminhão, ou qualquer veículo enrroscaria no fio e puxaria o MEU poste. Mas a regra não tinha exceções e eu teria um puta prejuízo porque alguém tem preguiça de prever exceções (desenvolvedores de software como eu não conseguem engolir gente que não prevê exceções).
Então, com isso tudo, me irritei. Seria muito gasto trocar o poste. Notei que era má vontade e tudo batia com as dezenas de declarações que me fizeram a respeito deles quererem sempre uma grana senão não faziam a instalação. Disse pro André: “se você sentir que ele quer dinheiro, oferece 400 reais para ele calar a boca e pôr a coisa pra andar, que vai ser mais barato do que trocar este poste”. Eu odeio esse tipo de gente e odeio fazer isso, mas era o jeito. Mas como Murphy ajuda pracas, o mestre de obras ofereceu o dinheiro mas o técnico disse :
- Sabe, a oferta é tentadora, mas eu sou caxias, eu estou há 30 anos na empresa e não posso correr este risco. - mas ele me deu a dica - faça o seguinte, entendo seu problema. Manda seu engenheiro projetar um poste utilizando este como base e aí você não precisará remover este poste e resolve o problema. Porém o senhor vai precisar recolher outra ART do poste.
E lá vou eu gastar mais dinheiro para fazer a coisa andar.
Luz! E todos viveram felizes para sempre?
A casa estava quase pronta quando o técnico foi pela nona vez na casa (pois na oitava a rua tinha saído do lugar de novo). Não sei se é verdade do André ou se ele mentiu para me embolsar R$50,00 mas fato é que “diz a lenda” que o André precisou pagar para o técnico ligar a luz, pois ele de novo estava enrolando. Mas a luz foi ligada e, se o André teve que subornar ou não, desta vez eu estava de consciência limpa, pois não tinha nada mesmo de errado e eu nem ao menos tinha dito para o André subornar o homem de novo (também, depois da última invertida).

cabos na grossura de um dedo gordo
O estardalhaço por pequenos detalhes foi tão idiota, tão revoltante, tão… argh! E para quê? Para colocar uma energia elétrica que ao menos uma vez na semana fica sem abastecimento, em que os cabos ridículos da Eletropaulo, com a grossura de uma extensão elétrica, se ligam com cabos com mais de meio centímetro de raio. Ou seja, se eu ligar realmente na carga máxima, o fio da Eeletropaulo queima! (Um dia farei isto só de raiva.)
E aí, tudo bem? Não, esta era a luz temporária! Para fazer a obra apenas! Feita em equivalência de carga apenas para não precisar mudar a parte interna da caixa, faltava ainda ligar para a Eletropaulo para pedir a mudança para instalação definitiva. Mas isso eu faria após a mudança para a casa.
Um Gato Oficial
Após nos mudarmos, percebemos que fazia 60 dias que tinha sido ligada a luz e nem a conta com valor mínimo havia chegado. Resolvemos ligar para a Eletropaulo para duas coisas: primeiro para solicitar a segunda via da conta que não veio; e segundo para converter para definitiva a luz. Ligo lá e o atendente me diz - qual o número de instalação da conta?- e eu digo:
-É a primeira conta, não tenho o número da instalação pois não tenho nenhuma conta aqui comigo. - então ele pergunta:
- Qual nome que está a conta? - e eu digo:
- Ou está no meu “Fulano de Souza” ou na da minha esposa “Beltrana Lopes”. - ele procura, procura e diz que só achou uma instalação no nome de minha esposa, mas era a instalação do antigo endereço. Então informo a ele o endereço e ele não acha. Então ele solta a célebre pergunta - mas tem certeza que a ligação é oficial, tem relógio lá na frente? - poxa, esta era demais. Depois disso tudo ainda ter que ouvir que fiz “gato”.
- Claro que tenho! - disse eu e ele me perguntou o número do relógio. Fui até à frente da casa, anotei o número e dei para ele. Então ele me diz:
- É que tivemos um problema no nosso sistema, então perdemos centenas de cadastros - (!?!) - e vou recadastrar o senhor. - por telefone ele me fez às pressas as mesmas perguntas que minha arquiteta fez lá em cima para fazer o levantamento de cargas e já me cadastrou como instalação elétrica residencial. Me enviou um técnico, que trocou o relógio por um cadastrado, desta vez sem fazer maiores perguntas. Agora a conta chega. A única coisa que falta é mudar o endereço de cobrança, já que a conta ainda está indo para o meu endereço antigo.
Final feliz? Quem sabe?
Gastos:
Cavalete de água: R$50,00
Instalação do Hidrômetro no Condomínio: R$ 150,00
Engenheiro Elétrico da Hidravolts para ART e Projeto (Alexandre - 7883-9904 hidravolts@terra.com.br): R$ 450,00
Material Elétrico Para a Caixa Elétrica: R$ 2.250,00
Poste: R$ 385,00
Reforço do Poste - Mão de Obra : R$ 150,00
ART para alterações no poste: R$ 200,00
Cafezinho para fiscal da Eletropaulo: R$ 50,00
Total: R$ 3.685,00
Tags: água, Eletropaulo, extorsão, instalação, luz














Onde vc consegui o art por 200 reais? è tudo que eu preciso é desse tal art
Não sei se você vai conseguir por este preço, pois cada caso é cada caso.Se você mora perto da região de SP você pode ligar pra Hidravolts que foram os engenheiros que me atenderam: falar c/ Alexandre - 7883-9904 hidravolts@terra.com.br
gostaria de saber quais sao os materiais necessarios para istalar luz os fios ja estao no seus devido lugares?
Helenice, você deve consultar, antes de tudo, a Eletropaulo, ou concessionária de sua região, para ver o que é necessário para ligar a luz em seu terreno. Se estiver se referindo ao sistema elétrico de dentro da casa, você deve consultar um técnico ou eng. elétrico para fazer o projeto de instalação elétrica de sua casa.